André Mendonça manda soltar filho do Careca do INSS
O ministro André Mendonça, do STF, mandou soltar Romeu Carvalho Antunes, filho do Careca do INSS, investigado na Operação Sem Desconto. Ele usará tornozeleira eletrônica e está proibido de acessar o INSS e a Dataprev.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a soltura de Romeu Carvalho Antunes, investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Antunes estava preso preventivamente desde 18 de dezembro de 2025, quando foi alvo de uma fase da operação. Ele é filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", que segue preso.
A prisão de Romeu Antunes foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar o país e a entrega do passaporte. O investigado também ficou proibido de manter contato, direta ou indiretamente, com outros investigados e testemunhas da Operação Sem Desconto.
Mendonça determinou ainda que Romeu não frequente entidades associativas com as quais tenha mantido relação e não tenha acesso às instalações do INSS e da Dataprev, empresa pública que administra o banco de dados da autarquia. O ministro estabeleceu que o investigado permaneça na comarca de sua residência e que qualquer deslocamento para fora dela dependa de autorização judicial.
Decisão considera estágio da investigação e controle judicial
Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que a segregação física integral não se mostra mais necessária na intensidade anteriormente reconhecida. Ele citou, cumulativamente, o estágio alcançado pela investigação, a possibilidade de controle objetivo dos deslocamentos do investigado, sua retirada dos ambientes institucionais diretamente associados aos fatos apurados, a vedação de interlocução com investigados e testemunhas e a manutenção de sua vinculação à jurisdição nacional.
A análise do magistrado considerou também a situação de saúde de Romeu. Segundo informações apresentadas pela defesa e mencionadas na decisão, ele foi internado em junho no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, após apresentar cólicas intensas, febre e vômitos provocados por cálculos renais, incluindo um cálculo no ureter direito com obstrução. No pedido de soltura, André Mendonça afirmou que as condições de saúde "denotam fragilidade a demandar cuidados médicos" e considerou o quadro um elemento adicional para a substituição da prisão.
PGR se opôs à soltura
A concessão de liberdade a Romeu não contou com aval da Procuradoria Geral da República (PGR), que reafirmou a gravidade das condutas imputadas ao investigado e avaliou que a soltura representaria um risco à ordem pública e à instrução processual.
A decisão de Mendonça também atinge outro investigado. O ministro determinou a soltura de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS e indiciado pela Polícia Federal (PF) por participação no desvio de contribuições associativas em aposentadorias e pensões. A prisão foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica, além da proibição de se comunicar com outros investigados ou acessar as dependências do INSS ou da Dataprev.
O que a decisão muda para os investigados
A substituição da prisão por medidas cautelares, como a tornozeleira eletrônica, não significa absolvição. No caso de Romeu, as condições impostas por Mendonça incluem:
- uso de tornozeleira eletrônica;
- proibição de deixar o país, com entrega do passaporte;
- proibição de contato com outros investigados e testemunhas;
- proibição de frequentar entidades associativas com as quais tenha mantido relação;
- proibição de acesso às instalações do INSS e da Dataprev;
- permanência na comarca de residência, com deslocamentos sujeitos a autorização judicial.
Contexto da Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto investiga fraudes em descontos associativos em benefícios do INSS. O nome do filho do "Careca do INSS" apareceu no âmbito da investigação, que já havia levado à prisão preventiva de Romeu em dezembro de 2025. O pai, Antônio Carlos Camilo Antunes, segue preso.
A decisão de Mendonça reforça a tendência do STF em revisar prisões preventivas quando há medidas cautelares suficientes para garantir a instrução processual. A análise individualizada, com base em elementos como saúde e vínculo com a jurisdição, é um dos critérios adotados pela Corte.
Perguntas Frequentes
Quem é Romeu Carvalho Antunes?
Romeu Carvalho Antunes é filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Ele é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos de aposentadorias e pensões do INSS.
O que é a Operação Sem Desconto?
É uma operação que investiga fraudes em descontos associativos em benefícios do INSS. Romeu Carvalho Antunes foi preso preventivamente em dezembro de 2025, no âmbito dessa investigação.
Quais condições foram impostas a Romeu na soltura?
Ele deve usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte, não deixar o país, não contatar outros investigados ou testemunhas, não acessar o INSS ou a Dataprev e permanecer na comarca de residência.
Por que a saúde de Romeu foi considerada na decisão?
Ele foi internado em junho no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, com cólicas, febre e vômitos causados por cálculos renais. O ministro considerou o quadro um elemento adicional para substituir a prisão.
A PGR concordou com a soltura?
Não. A Procuradoria Geral da República reafirmou a gravidade das condutas e avaliou que a soltura representaria risco à ordem pública e à instrução processual.
Quem mais foi solto por Mendonça nesta decisão?
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, também teve a prisão substituída por tornozeleira eletrônica, com proibições semelhantes.
Análise: o que esperar
A decisão de André Mendonça não encerra a investigação. O uso de tornozeleira eletrônica e as restrições impostas indicam que o STF entende ser possível acompanhar os investigados sem mantê-los presos. A PGR, porém, sinalizou preocupação com o risco à ordem pública. O desfecho dependerá dos próximos passos da Operação Sem Desconto e de eventuais recursos.
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