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TH Joias vira réu por envolvimento com CV no Rio

ResumoTH Joias, ex-deputado estadual Thiago Raimundo de Oliveira Santos, tornou-se réu na Justiça Federal por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. O Tribunal Regional Federal manteve a prisão preventiva dos denunciados pelo Ministério Público Federal, conforme decisão judicial divulgada.

O ex-deputado estadual Thiago Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, virou réu na Justiça Federal por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho. A decisão do TRF manteve a prisão preventiva dos denunciados pelo MPF.

Dr. Adelmo Brandão Pacheco
Por Dr. Adelmo Brandão PachecoJuiz aposentado e comentarista de processo penal
Brasília · 14 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
TH Joias vira réu por envolvimento com CV no Rio

O ex-deputado estadual no Rio de Janeiro Thiago Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, virou réu na Justiça Federal por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). Ele havia sido preso em setembro de 2025 pela Operação Zargun, que apurava a atuação de uma organização criminosa ligada a tráfico de armas, de drogas e a corrupção.

O que mudou é o seguinte: antes, ele era alvo de investigação e estava preso. Agora, há denúncia aceita pelo Ministério Público Federal (MPF) e decisão do Tribunal Regional Federal mantendo a prisão preventiva dos acusados. No caso de TH Joias, o TRF ordenou a transferência para penitenciária federal.

Além dele, foram tornados réus Gabriel Dias de Oliveira, o "Índio"; Luciano Martiniano da Silva, o "Pezão"; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o "Dudu", identificado como empresário; Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes e ocupante de cargos comissionados na Alerj; e Gustavo Stteel, delegado de Polícia Federal. Pezão está foragido.

O relator do caso no TRF foi o desembargador federal Flávio Oliveira Lucas. A decisão manteve a prisão preventiva de todos, com exceção do delegado Gustavo Stteel, que passa para detenção domiciliar, com restrição de atividades e monitoramento eletrônico. Ele também fica afastado do cargo na Polícia Federal.

Os réus responderão por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, tráfico internacional e comércio ilegal de armas de fogo, associação para o tráfico, posse ou porte de arma de fogo de uso restrito e corrupção ativa e passiva.

Segundo a acusação, TH Joias teria exercido papel de articulação entre integrantes da quadrilha e agentes públicos, além de participar de negociações envolvendo drogas, armas e equipamentos antidrones. Ele usava o gabinete para acomodar indicações da facção. O MPF sustenta que o grupo mantinha conexões com o CV e teria participado da compra e distribuição de armamentos provenientes do Paraguai.

A investigação aponta que o ex-secretário Carracena vazava dados policiais em troca de vantagens indevidas. Já o delegado Gustavo Stteel repassaria informações privilegiadas e tentava intervir em favor dos líderes do grupo em troca de cargos públicos para a companheira dele, entre outras contrapartidas.

O caso teve desdobramentos na cúpula da política fluminense. Três meses após a prisão de TH Joias, a Operação Unha e Carne prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), acusado de passar informações da Zargun para TH Joias. Ele ficou cinco dias preso por ordem do Supremo Tribunal Federal e foi libertado após decisão da Alerj que revogou a prisão, amparada pela Constituição. No dia seguinte, pediu licença do cargo.

Bacellar, que já havia assumido interinamente o governo do estado, era cotado para disputar a eleição para governador em outubro de 2026. Sua saída da presidência da Alerj é um dos motivos pelos quais o estado está sendo governado, de forma interina, pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro.

O que sustenta ou derruba essa decisão em recurso é a qualidade da fundamentação sobre a participação de cada réu. A dúvida razoável tem dono: o réu.

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