Direito Previdenciario

Rioprevidência leiloa terreno na Ilha dos Caiçaras por R$ 23,3 mi

ResumoRioprevidência leiloou um terço do terreno na Ilha dos Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, por R$ 23,3 milhões. O Clube dos Caiçaras arrematou a área de 11,3 mil metros quadrados pelo lance inicial, em leilão realizado na sede do fundo de previdência.

Leilão na sede do Rioprevidência vendeu um terço do terreno na Ilha dos Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, por R$ 23,3 milhões. O próprio Clube dos Caiçaras arrematou a área de 11,3 mil metros quadrados pelo lance inicial.

Quézia Andrade Tupinambá
Por Quézia Andrade TupinambáPesquisadora em justiça criminal e dados
Brasília · 16 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Rioprevidência leiloa terreno na Ilha dos Caiçaras por R$ 23,3 mi

O Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro) vendeu um terço do terreno na Ilha dos Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, por R$ 23,3 milhões. O leilão ocorreu na terça-feira (15), na sede da autarquia, no centro da cidade. A área negociada tem 11,3 mil metros quadrados, e o arrematante foi o próprio Clube dos Caiçaras, que opera no local e pagou o lance inicial.

O fundo é responsável exclusivamente pelo pagamento de servidores estaduais inativos e pensionistas. A venda integra o plano de desinvestimento da carteira imobiliária da autarquia, com o objetivo declarado de reforçar o caixa do fundo previdenciário após perdas resultantes de investimentos no Banco Master.

O governo do Rio investiu cerca de R$ 3,7 bilhões de recursos do Rioprevidência no Banco Master. A informação foi revelada pela Polícia Federal durante investigações sobre os aportes suspeitos realizados na instituição financeira, o que colocou em risco o pagamento dos servidores inativos e pensionistas do governo do estado do Rio.

No site oficial do Clube dos Caiçaras, a diretoria informou que o restante da ilha já pertencia à instituição e que a compra da fatia do estado manteve a regularidade das atividades no local. A área é ocupada regularmente pelo clube há anos, por meio de instrumentos públicos de autorização de uso, mediante pagamento mensal da respectiva remuneração ao Rioprevidência. O processo anunciado, portanto, não altera a regularidade da ocupação atual.

Em comunicado, a diretoria do clube afirmou: "É importante registrar, ainda, que a fração objeto do leilão possui características específicas e está sujeita a limitações e condicionantes urbanísticas, ambientais e de uso, compatíveis com a natureza da ilha e com as atividades sociais, esportivas e recreativas aqui desenvolvidas."

O episódio ajuda a ler o tamanho do problema que o fundo tenta equacionar. Um terreno de 11,3 mil metros quadrados vendido por R$ 23,3 milhões representa pouco diante de um aporte de R$ 3,7 bilhões em uma única instituição financeira. A operação imobiliária, isolada, não cobre a exposição. E o desfecho depende de apuração que ainda está em curso, sem conclusão pública conhecida até aqui.

Para quem acompanha a previdência estadual, a pergunta que fica não é sobre o valor do terreno, mas sobre a governança dos investimentos que o colocaram em risco. Sem o dado final da investigação, qualquer afirmação sobre responsabilidade individual é achismo. O número não fala sozinho, mas não mente: a diferença de escala entre a venda e o aporte é o dado que organiza o debate.

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