Direito Previdenciario

Moraes marca para 28 de julho depoimento de Flávio Bolsonaro à PF

ResumoO ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, agendou para 28 de julho o depoimento do senador Flávio Bolsonaro à Polícia Federal. A oitiva integra o inquérito que investiga supostas irregularidades no esquema de "rachadinha", caracterizado pelo desvio de salários de funcionários públicos.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, marcou para 28 de julho o depoimento do senador Flávio Bolsonaro à Polícia Federal. O depoimento insere-se no inquérito que apura supostas irregularidades no âmbito da chamada "rachadinha", esquema de desvio de salários de funcionários públ

Dr. Hélio Faleiro Mont'Alverne
Por Dr. Hélio Faleiro Mont'AlverneAdvogado de compliance e crimes econômicos
Brasília · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Moraes marca para 28 de julho depoimento de Flávio Bolsonaro à PF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para o dia 28 de julho o depoimento do senador Flávio Bolsonaro à Polícia Federal (PF). A decisão foi proferida no âmbito do inquérito que apura a prática de "rachadinha", esquema em que funcionários públicos devolvem parte de seus salários ao político que os nomeou. O crime econômico raramente tem flagrante, tem rastro. A análise do fluxo financeiro e documental será o eixo central da oitiva.

O depoimento de Flávio Bolsonaro à PF em 28 de julho insere-se em uma investigação que já dura anos. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) identificou movimentações atípicas na conta do então deputado estadual. Entre 2007 e 2018, foram depositados cerca de R$ 1,2 milhão em cheques de assessores, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O Coaf, órgão de inteligência financeira, apontou operações suspeitas que fugiam ao padrão de renda dos funcionários.

A investigação criminal, sob relatoria de Moraes, busca conectar esses depósitos ao suposto esquema de desvio de salários. A defesa de Flávio Bolsonaro alega que os valores são provenientes de empréstimos e doações, sem caráter ilícito. No entanto, o rastro documental indica que os depósitos ocorriam de forma sistemática, com datas próximas ao pagamento dos servidores. A engenharia financeira do caso exige a análise de cada cheque, de cada extrato bancário, e de cada declaração de imposto de renda.

O papel do Coaf e a quebra de sigilo bancário

O relatório do Coaf foi peça-chave para a abertura do inquérito. O órgão, vinculado ao Banco Central, identificou 48 transações atípicas na conta de Flávio Bolsonaro entre 2016 e 2017, totalizando R$ 1,2 milhão. A quebra de sigilo bancário, autorizada pela Justiça, permitiu à PF rastrear o destino dos recursos. A análise mostrou que parte dos valores foi depositada em contas de familiares e empresas, o que reforça a tese de movimentação circular de dinheiro.

A quebra de sigilo bancário é um instrumento comum em investigações de lavagem de dinheiro, mas exige fundamentação robusta. No caso, o STF entendeu que havia indícios suficientes para autorizar a medida. A defesa de Flávio Bolsonaro recorreu, mas o relator manteve a decisão. O depoimento de 28 de julho pode ser o momento em que o senador será confrontado com esses dados.

A rachadinha como crime de colarinho branco

A prática de "rachadinha" é tipificada como peculato, concussão ou corrupção passiva, dependendo do contexto. No Brasil, o crime de peculato está previsto no artigo 312 do Código Penal, com pena de 2 a 12 anos de reclusão. A rachadinha, embora não seja um tipo penal autônomo, é uma modalidade de desvio de recursos públicos. O compliance, nesse cenário, funciona como prevenção, não como cosmético. Empresas e órgãos públicos que adotam controles internos rigorosos reduzem o risco de desvios.

A comparação com normas internacionais é relevante. Nos Estados Unidos, o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) pune empresas que pagam propina a funcionários públicos. No Brasil, a Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) estabelece responsabilidade objetiva para pessoas jurídicas envolvidas em atos lesivos à administração pública. A leniência, ou acordo de leniência, permite que empresas colaborem com as investigações em troca de redução de penalidades. No caso da rachadinha, a leniência não se aplica diretamente, pois o crime é individual, mas o princípio de colaboração pode inspirar acordos.

Implicações para a governança corporativa

O caso Flávio Bolsonaro serve de alerta para empresas e políticos sobre a necessidade de transparência financeira. A movimentação de cheques de assessores, por exemplo, pode ser facilmente rastreada se houver controles adequados. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) recomenda que instituições financeiras reportem operações suspeitas acima de R$ 10 mil. Esse limite, no entanto, não impede que pequenos depósitos frequentes sejam investigados, como ocorreu no caso.

Para profissionais de compliance, o caso ensina que a prevenção deve começar no recrutamento. A nomeação de funcionários fantasmas ou a exigência de devolução de salários são práticas que podem ser detectadas por auditorias internas. A governança corporativa exige que empresas tenham canais de denúncia anônimos e políticas de integridade claras.

Perguntas Frequentes

O depoimento de Flávio Bolsonaro é obrigatório?

Sim, o depoimento foi determinado pelo STF. O senador pode comparecer ou justificar a ausência. Em caso de não comparecimento sem justificativa, pode ser conduzido coercitivamente.

O que é rachadinha?

Rachadinha é o esquema em que funcionários públicos devolvem parte de seus salários ao político que os nomeou. É crime de peculato ou concussão, previsto no Código Penal.

Qual a pena para rachadinha?

A pena varia de 2 a 12 anos de reclusão, dependendo do tipo penal aplicado. Além disso, o político pode perder o cargo e ter os bens bloqueados.

O Coaf pode quebrar sigilo bancário?

Não. O Coaf apenas reporta operações suspeitas. A quebra de sigilo bancário depende de autorização judicial.

Flávio Bolsonaro pode ser preso?

A prisão preventiva pode ser decretada se houver risco à investigação. Até o momento, não há pedido de prisão.

O que muda para empresas com esse caso?

Empresas devem reforçar controles internos e canais de denúncia. A transparência financeira é essencial para evitar riscos de compliance.

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