Moraes arquiva investigação contra Bolsonaro no caso Abin Paralela
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o arquivamento da investigação contra Jair Bolsonaro pelo uso ilegal da Abin, seguindo parecer da PGR. A decisão também arquivou as apurações contra ex-diretores da agência e enviou as acusações contra Carlos Bolsonaro para a Jus
Moraes arquiva investigação contra Bolsonaro no caso Abin Paralela
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (20) o arquivamento da investigação aberta contra o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante seu governo.
A decisão segue parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e entende que Bolsonaro já foi condenado pela acusação de monitorar ilegalmente autoridades públicas. No processo da trama golpista, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, pena que também levou em conta essa acusação.
O que muda com o arquivamento
A investigação sobre o uso ilegal da Abin, conhecida como "Abin Paralela", tramitava no STF desde 2023. Com a decisão de Moraes, o ex-presidente não responderá por esse caso específico, pois a acusação já foi absorvida pela condenação no processo da trama golpista.
A PGR havia recomendado o arquivamento por entender que não havia fatos novos que justificassem a continuidade da apuração. O ministro acolheu o parecer e determinou o fim da investigação.
O caso de Carlos Bolsonaro
Moraes determinou ainda que as acusações contra Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, sejam enviadas para a Justiça Federal no Distrito Federal. Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) apurou a suposta ligação do chamado "Gabinete do Ódio" com o caso Abin Paralela.
Com o envio para a Justiça Federal, o caso de Carlos Bolsonaro sairá da esfera do STF e será analisado por um juiz de primeira instância.
Arquivamento para ex-diretores da Abin
Na mesma decisão, o ministro determinou o arquivamento das investigações contra o ex-diretor-geral da Abin Luiz Fernando Corrêa, o ex-diretor adjunto Alessandro Moretti, o ex-corregedor José Fernando Moraes Chuy, e o ex-coordenador de operações Lucio de Andrade Parente.
Para Moraes, não há indícios para o prosseguimento da investigação criminal contra eles. "As imputações formuladas limitam-se à enunciação de conclusões genéricas acerca de suposta participação dos requeridos em atos de embaraço à investigação, sem a individualização concreta das respectivas condutas e sem a demonstração mínima dos elementos necessários à configuração de fato penalmente relevante", afirmou o ministro.
Com a decisão, a PF deverá cancelar os indiciamentos desses investigados.
O que significa a decisão para a investigação
O arquivamento não anula a condenação de Bolsonaro no processo da trama golpista, que já considerou o monitoramento ilegal de autoridades como parte das acusações. A decisão de Moraes apenas encerra a investigação específica sobre o uso da Abin, evitando duplicidade de processos.
A PGR seguiu o entendimento de que a condenação já existente absorveu a acusação, tornando desnecessária a continuidade da apuração.
Perguntas Frequentes
Por que Moraes arquivou a investigação contra Bolsonaro?
Porque o ministro entendeu que Bolsonaro já foi condenado pela mesma acusação no processo da trama golpista, com pena de 27 anos e três meses de prisão.
O que acontece com Carlos Bolsonaro?
As acusações contra Carlos Bolsonaro foram enviadas para a Justiça Federal no Distrito Federal, saindo da esfera do STF.
Quem mais teve a investigação arquivada?
O ex-diretor-geral da Abin Luiz Fernando Corrêa, o ex-diretor adjunto Alessandro Moretti, o ex-corregedor José Fernando Moraes Chuy e o ex-coordenador de operações Lucio de Andrade Parente.
A decisão anula a condenação de Bolsonaro?
Não. A condenação de 27 anos e três meses de prisão no processo da trama golpista permanece válida.
O que era a Abin Paralela?
Era a investigação sobre o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro para monitorar autoridades públicas.