Direito do Trabalhador

Verdade prevalecerá, diz número 2 da PF após afastamento

ResumoWilliam Marcel Murad, número 2 da Polícia Federal, afirmou em discurso a 763 agentes que a verdade prevalecerá após o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues. Murad defendeu a autonomia institucional da PF e manifestou confiança na gestão de Rodrigues, afastado pelo ministro André Mendonça. A declaração reforça o posicionamento interno da corporação diante da medida judicial.

Em discurso a 763 agentes, William Marcel Murad defendeu a autonomia da PF e a confiança em Andrei Rodrigues, afastado pelo ministro André Mendonça. Saiba os detalhes.

Dr. Hélio Faleiro Mont'Alverne
Por Dr. Hélio Faleiro Mont'AlverneAdvogado de compliance e crimes econômicos
Brasília · 08 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Verdade prevalecerá, diz número 2 da PF após afastamento

Em discurso na abertura do 63º Curso de Formação Profissional para agentes, em Brasília, o diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, declarou que a atuação autônoma, imparcial, técnica e apartidária permite que a corporação se defenda de "disparates, ataques, tentativas de usurpação de funções e de desqualificar o trabalho" do órgão. As palavras ganharam peso extra porque, horas antes, o ministro André Mendonça, do STF, havia determinado o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Leandro Almada. Com isso, Murad, número dois na hierarquia, assumiu o comando interino da PF.

A decisão de Mendonça, revelada na manhã desta terça-feira (8), foi motivada pela alegação de que ele teria sido monitorado ilegalmente durante o mês passado, com a produção de ao menos seis relatórios de inteligência. A existência desses documentos veio a público depois que o ministro Alexandre de Moraes tornou um deles público, sustentando que Mendonça estaria cometendo abusos de autoridade ao direcionar as investigações da Operação Compliance Zero, que apura o envolvimento de agentes públicos nas fraudes financeiras do Banco Maste, de Daniel Vorcaro.

Para justificar o afastamento, Mendonça apontou a "superlativa gravidade" e a "ilicitude" da divulgação dos relatórios por Moraes, afirmando que a medida busca interromper o "monitoramento e a coleta [de informações] dirigida". Logo após a decisão ser tornada pública, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto a análise não volta à pauta, os efeitos da liminar seguem em vigor.

Em sua fala, Murad endereçou palavras diretas aos 763 alunos do curso de formação, reafirmando confiança em Rodrigues: "Reafirmo nossa total confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues". Ele também defendeu a instituição: "Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei, comprometidos exclusivamente com o interesse público, nos mantém confiantes em que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá". Para o diretor, a corporação saberá se defender de qualquer ataque, "venha ele de onde vier".

O Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao qual a PF está vinculada, ainda não se manifestou sobre o caso. A crise expõe um raro conflito interno no sistema de Justiça, com repercussões diretas na condução de investigações sensíveis. Para quem acompanha o desdobramento, a leitura é de que a disputa institucional pode afetar a previsibilidade de operações em curso e a confiança do mercado na estabilidade regulatória, ainda que a PF reafirme seu compromisso com a legalidade.

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