Direito do Consumidor

MPRJ mira cobrança ilegal para autorizar festas em barcos em Búzios, entenda

ResumoO Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investiga suposta cobrança ilegal para autorizar festas em barcos em Búzios. A apuração envolve denúncias de pagamentos indevidos a agentes públicos para liberação de eventos náuticos na Região dos Lagos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu investigação sobre suposta cobrança ilegal para autorizar festas em embarcações em Búzios, na Região dos Lagos. O caso envolve denúncias de pagamentos indevidos a agentes públicos para liberação de eventos náuticos, o que pode c

Quézia Andrade Tupinambá
Por Quézia Andrade TupinambáPesquisadora em justiça criminal e dados
Brasília · 14 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Moraes suspende visitas de Flávio a Bolsonaro na prisão domi

MPRJ mira cobrança ilegal para autorizar festas em barcos em Búzios

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu investigação sobre suposta cobrança ilegal para autorizar festas em embarcações em Búzios, na Região dos Lagos. A denúncia, veiculada pelo RJTV, aponta que agentes públicos exigiam pagamentos indevidos para liberar eventos náuticos na cidade. O caso, se confirmado, pode configurar improbidade administrativa e corrupção ativa.

O que diz a investigação do MPRJ

Segundo o MPRJ, a investigação foi instaurada após reportagem do RJTV mostrar que empresários do setor náutico eram pressionados a pagar propina para obter autorizações de festas em barcos. O valor cobrado variava conforme o porte do evento, mas não há dados oficiais sobre montantes exatos, o MPRJ ainda coleta provas.

A Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Búzios e a 2ª Promotoria de Justiça Criminal da comarca atuam em conjunto. O procedimento investigatório criminal (PIC) foi aberto para apurar os fatos.

Denúncias de cobrança ilegal em eventos náuticos

De acordo com a denúncia, a cobrança ilegal ocorria em ao menos três pontos turísticos de Búzios: a Praia da Ferradura, a Praia de Geribá e a região da Rua das Pedras. Empresários relataram que agentes da Secretaria de Ordem Pública e da Guarda Municipal exigiam pagamentos de R$ 2 mil a R$ 10 mil para liberar eventos.

A prática, se confirmada, viola a Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992) e o Código Penal, que prevê pena de 2 a 12 anos de reclusão para corrupção ativa (art. 333) e passiva (art. 317). entenda a diferença entre improbidade e corrupção

Histórico de irregularidades em Búzios

Búzios já teve casos de irregularidades na gestão pública. Em 2023, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) reprovou as contas da prefeitura por falhas na transparência de licitações. Em 2024, a Câmara Municipal instaurou CPI para investigar contratos de transporte turístico.

O atual caso de cobrança para festas em barcos se soma a esse histórico, mas ainda não há condenações. O MPRJ ressalta que a investigação está em fase inicial e que a presunção de inocência vale para todos os envolvidos.

Como denunciar cobranças indevidas em Búzios

Cidadãos e empresários que tenham sofrido cobranças ilegais podem denunciar ao MPRJ pelo Disque-Denúncia (181) ou diretamente na Promotoria de Justiça de Búzios, na Rua das Pedras, 45. O sigilo é garantido.

A denúncia também pode ser feita à Controladoria-Geral da União (CGU) em casos que envolvam recursos federais, como em eventos náuticos com patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura como funciona a Lei Rouanet em Búzios.

Impactos para o turismo náutico em Búzios

Búzios recebe cerca de 1,5 milhão de turistas por ano, segundo dados da Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro. O turismo náutico responde por cerca de 30% da atividade econômica local, com aluguel de barcos, passeios de escuna e festas em embarcações.

A cobrança ilegal, se disseminada, pode afastar investidores e reduzir a arrecadação municipal. A prefeitura de Búzios, em nota, afirmou que colabora com a investigação e que afastou preventivamente dois servidores da Guarda Municipal.

Próximos passos da investigação

O MPRJ deve ouvir testemunhas e analisar documentos apreendidos nas próximas semanas. Se houver indícios suficientes, o caso pode virar ação civil pública por improbidade administrativa ou ação penal. Até lá, não há prazos oficiais.

Perguntas Frequentes

O que exatamente o MPRJ está investigando?

O MPRJ apura denúncias de que agentes públicos cobravam propina para liberar festas em barcos em Búzios, na Região dos Lagos.

Quem pode ser punido?

Se confirmada a cobrança, servidores públicos que exigiram o pagamento podem responder por improbidade administrativa e corrupção passiva. Empresários que pagaram podem ser enquadrados por corrupção ativa.

Como denunciar casos semelhantes?

Pelo Disque-Denúncia (181) ou na Promotoria de Justiça de Búzios. O sigilo é garantido.

A investigação já tem prazo para terminar?

Não. O MPRJ não divulgou cronograma. A fase atual é de coleta de provas e oitivas.

Búzios já teve outros casos de corrupção?

Sim. Em 2023, o TCE-RJ reprovou contas da prefeitura por irregularidades em licitações, mas não há relação direta com o caso atual.

Leia também

Publicidade