Direito de Familia

STF retoma julgamento sobre alcance da Lei Maria da Penha

ResumoSupremo Tribunal Federal (STF) retoma julgamento sobre o alcance das medidas protetivas da Lei Maria da Penha em casos de violência fora do contexto doméstico. A sessão ocorre nesta segunda-feira (3), às 14h, e também analisa ações sobre isenção de impostos para compra de carros por pessoas com deficiência. A decisão define limites de aplicação da lei a situações não domésticas.

O STF retoma nesta segunda-feira (3), às 14h, o julgamento sobre o alcance das medidas protetivas da Lei Maria da Penha em casos de violência fora do contexto doméstico. A Corte também julga ações sobre isenção de impostos para compra de carros por pessoas com deficiência.

Tâmara Quintanilha
Por Tâmara QuintanilhaRepórter de segurança pública e justiça
Brasília · 03 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
STF retoma julgamento sobre alcance da Lei Maria da Penha

STF retoma julgamento sobre alcance da Lei Maria da Penha

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta segunda-feira (3), às 14h, as sessões presenciais do plenário da Corte após o recesso de julho. O principal processo em pauta trata do alcance das medidas protetivas da Lei Maria da Penha para casos de violência fora do contexto doméstico. O caso começou a ser analisado em maio deste ano, quando foram ouvidas as sustentações orais das partes envolvidas no processo. Na sessão de hoje, os ministros vão proferir os votos sobre a questão.

A Corte julga recurso do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para derrubar decisão da Justiça estadual que negou a aplicação de medidas protetivas a uma mulher que recebeu ameaças por razões de gênero em contexto comunitário (local público). Os detalhes do processo não foram divulgados porque estão em segredo de Justiça. Para o MP, a Lei Maria da Penha pode ser aplicada de forma ampla, sempre quando ocorrer a violência de gênero contra a mulher.

A norma prevê diversas medidas protetivas, como afastamento do agressor do lar, proibição de aproximação da vítima, uso de tornozeleira eletrônica e decretação de prisão preventiva.

O que está em jogo no julgamento da Lei Maria da Penha

A discussão central é se as medidas protetivas da Lei Maria da Penha se aplicam a casos de violência de gênero que acontecem fora do ambiente doméstico, como em espaços públicos. O caso concreto envolve uma mulher que recebeu ameaças em contexto comunitário. O MPMG recorre para garantir a aplicação das medidas protetivas, sustentando que a lei deve ser interpretada de forma ampla.

A decisão do STF pode definir o alcance da norma para situações que não se enquadram estritamente no lar, mas que envolvem violência de gênero. O julgamento foi retomado após as sustentações orais realizadas em maio. Agora, os ministros apresentam seus votos.

Medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha prevê um conjunto de medidas protetivas que podem ser aplicadas pelo juiz para proteger a vítima de violência doméstica. Entre elas:

  • Afastamento do agressor do lar
  • Proibição de aproximação da vítima
  • Uso de tornozeleira eletrônica
  • Decretação de prisão preventiva

Essas medidas visam garantir a segurança da mulher em situação de violência, seja no âmbito doméstico ou, conforme a discussão em pauta, em outros contextos de violência de gênero.

STF também julga ações sobre isenção de impostos para compra de carros

O plenário também deve julgar nesta segunda-feira ações que contestam o trecho da reforma tributária (Lei Complementar 214/2025) que restringiu o benefício da isenção fiscal para compra de automóveis por pessoas com deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para as entidades que entraram com as ações, a restrição é discriminatória e inconstitucional.

O artigo 149 da lei garantiu a redução a zero das alíquotas do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) incidentes sobre a venda de automóveis nacionais. Contudo, o benefício foi restringido a pessoas com deficiência com grau moderado ou grave.

Retomada do julgamento sobre eleições no Rio de Janeiro

No dia 19 de agosto, o plenário do STF vai retomar o julgamento que definirá como serão as eleições para mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro. Em abril, o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O caso trata da ação na qual o diretório estadual do PSD defende a realização de eleições diretas (populares) para o comando interino do estado, e não votação indireta, por meio dos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), como definiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No dia 23 de março, o ex-governador Cláudio Castro foi condenado à inelegibilidade pelo TSE. Em função da condenação, o tribunal determinou a realização de eleições indiretas para o mandato-tampão. Contudo, o PSD recorreu ao Supremo e defendeu eleições diretas. No dia anterior ao julgamento, Castro renunciou ao mandato a fim de cumprir o prazo de desincompatibilização para se candidatar ao Senado. A medida foi vista como uma manobra para forçar a realização de eleições indiretas, e não diretas. O ex-governador poderia deixar o cargo até o dia 4 de abril.

A eleição para o mandato-tampão deverá ser realizada porque a linha sucessória do estado está desfalcada. O ex-vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado. Desde então, o estado não tem vice-governador. O próximo na linha sucessória seria o presidente da Alerj, o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. No entanto, o parlamentar foi cassado na mesma decisão do TSE que condenou Castro e já deixou o cargo. Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, exerce interinamente o cargo de governador do estado.

Julgamento sobre vínculo de emprego em aplicativos

Está prevista para 27 de agosto a retomada do julgamento sobre a validade das ações da Justiça do Trabalho que reconheceram vínculo de emprego entre trabalhadores e as plataformas que operam aplicativos de entregas e transporte de passageiros, a chamada uberização.

Serão julgadas duas ações relatadas pelos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes e que chegaram ao Supremo a partir de recursos protocolados pelas plataformas Rappi e Uber. As empresas contestam decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram o vínculo empregatício com os motoristas e entregadores.

A Rappi alega que as decisões trabalhistas que reconheceram o vínculo de emprego com a empresa desrespeitaram decisões da própria Corte que entendem não haver relação de emprego formal com os entregadores. A Uber sustenta que é uma empresa de tecnologia, e não do ramo de transportes, e que o reconhecimento de vínculo trabalhista altera a finalidade do negócio da plataforma, violando o princípio constitucional da livre iniciativa de atividade econômica. Durante a tramitação do caso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo parecer contrário ao reconhecimento de vínculo trabalhista entre motoristas de aplicativos e as plataformas digitais.

Perguntas Frequentes

O que o STF decide sobre a Lei Maria da Penha?

O STF decide se as medidas protetivas da Lei Maria da Penha podem ser aplicadas a casos de violência de gênero ocorridos fora do contexto doméstico, como em locais públicos. O caso concreto envolve ameaças a uma mulher em contexto comunitário.

Quando o STF retoma o julgamento da Lei Maria da Penha?

O julgamento foi retomado nesta segunda-feira (3), às 14h, com a apresentação dos votos dos ministros. As sustentações orais foram ouvidas em maio deste ano.

Quais medidas protetivas a Lei Maria da Penha prevê?

A lei prevê medidas como afastamento do agressor do lar, proibição de aproximação da vítima, uso de tornozeleira eletrônica e decretação de prisão preventiva.

O que é a uberização no julgamento do STF?

A uberização refere-se ao reconhecimento de vínculo de emprego entre trabalhadores e plataformas de aplicativos de entregas e transporte. O STF julga recursos da Rappi e da Uber contra decisões da Justiça do Trabalho.

Quando será o julgamento sobre as eleições no Rio de Janeiro?

O julgamento sobre o mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro será retomado em 19 de agosto. O caso envolve a disputa entre eleições diretas e indiretas.

entenda a Lei Maria da Penha e seus direitos como funciona a reforma tributária para pessoas com deficiência o que muda com a uberização para motoristas de aplicativo

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