Direito do Trabalhador

Moraes revoga tornozeleira para ex-prefeito de Belford Roxo

O ministro Alexandre de Moraes do STF revogou o uso da tornozeleira eletrônica para o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o sargento da PM Antônio Gomes. Ambos estavam sob investigação por ligações com grupos criminosos.

Sun-hee Vasconcelos Lima
Por Sun-hee Vasconcelos LimaDefensora pública e colunista de direitos humanos
Brasília · 26 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Moraes revoga tornozeleira para ex-prefeito de Belford Roxo

Moraes revoga uso de tornozeleira para ex-prefeito de Belford Roxo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes revogou o uso de tornozeleira eletrônica pelo ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, e pelo sargento da Polícia Militar Antônio Gomes da Silva Neto, que era responsável pela escolta do político.

Contexto da decisão

A revogação das medidas foi decidida por Moraes após ambos estarem em liberdade provisória desde o dia 10 de julho, sob a condição de cumprimento de medidas cautelares, que agora foram anuladas. Márcio Canella e o policial militar Antônio Gomes estão sendo investigados no Inquérito que apura a atuação de grupos criminosos violentos no estado do Rio de Janeiro, além de suas possíveis conexões com agentes públicos.

Esse inquérito é resultado das medidas impostas pelo STF durante o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que ficou conhecida como ADPF das Favelas. Durante a sexta fase da operação Unha e Carne da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro, Canella e o sargento da PM foram presos em flagrante por porte ilegal de arma de fogo no dia 7 deste mês.

Análise da decisão de Moraes

Na sua decisão, Moraes afirma que os elementos coletados até o momento não permitem concluir que houve a prática do delito de porte ilegal de arma de fogo. O ministro argumenta que os artefatos bélicos apreendidos parecem estar regularmente registrados e acautelados a policiais militares identificados pela própria PM. Essa análise sugere que a situação pode não ser tão simples quanto a acusação inicial.

Moraes também ressaltou que eventuais irregularidades relacionadas à cessão de policiais, ao acautelamento dos armamentos ou ao uso das armas em desacordo com normas internas da corporação devem ser apuradas na esfera administrativa pelos órgãos competentes. Ele destacou que, "neste momento, essas questões não apresentam repercussão penal imediata".

Implicações legais e sociais

A decisão de revogar o uso da tornozeleira eletrônica para Canella e o sargento da PM traz à tona questões sobre a eficácia das medidas cautelares e o impacto que tais decisões têm na percepção pública sobre a justiça no Brasil. A liberdade provisória, embora respeite os direitos dos acusados até que se prove a culpa, também levanta preocupações em relação à segurança pública e à confiança do cidadão nas instituições.

A operação Unha e Carne, que já gerou repercussões significativas, continua a ser um ponto central na investigação de relações entre o crime organizado e a política local. A conexão dos acusados com grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro reflete um problema mais amplo de corrupção e impunidade que afeta o estado e suas comunidades.

O papel do STF em casos de corrupção

O STF tem um papel crucial na supervisão da legalidade das ações de autoridades e na proteção dos direitos dos cidadãos. As decisões de Moraes refletem a necessidade de um equilíbrio entre a aplicação da lei e a defesa dos direitos individuais. A revogação da tornozeleira eletrônica pode ser vista como um movimento para garantir que as medidas cautelares não sejam excessivas ou desproporcionais, especialmente em um contexto onde a presunção de inocência deve ser respeitada.

Por outro lado, é fundamental que a sociedade esteja atenta aos desdobramentos dessa investigação e às possíveis consequências que podem surgir a partir dela. A luta contra a corrupção e a relação entre o crime organizado e a política é um desafio constante, e a forma como o STF lida com esses casos pode moldar a confiança pública nas instituições.

Considerações finais

À medida que o caso de Márcio Canella e Antônio Gomes avança, é essencial que todos os envolvidos no processo sejam tratados de maneira justa e equitativa. O sistema de justiça deve operar de forma transparente e responsável, garantindo que todos os cidadãos, independentemente de sua posição, sejam responsabilizados por suas ações. A decisão de revogar a tornozeleira eletrônica é um passo em um processo complexo que ainda está longe de ser resolvido. A continuidade das investigações e a responsabilização dos culpados serão cruciais para restaurar a confiança nas instituições e garantir que os direitos dos cidadãos sejam respeitados.

Perguntas Frequentes

O que motivou a revogação do uso da tornozeleira?

A revogação foi motivada pela análise de Moraes, que concluiu que os elementos até o momento não comprovam a prática do delito de porte ilegal de arma de fogo.

Quem são os envolvidos na decisão?

Os envolvidos são o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Correia de Oliveira, e o sargento da Polícia Militar Antônio Gomes da Silva Neto.

Qual é o contexto do inquérito?

O inquérito investiga a atuação de grupos criminosos violentos e suas possíveis conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.

O que é a ADPF 635?

A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, é uma medida imposta pelo STF que visa investigar e combater a violência e a corrupção relacionados a grupos criminosos nas favelas do Rio de Janeiro.

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