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Moraes acusa Mendonça de querer incluir seu nome em delação de Vorcaro

ResumoAlexandre de Moraes acusou André Mendonça de exigir a inclusão de seu nome em eventual delação de Daniel Vorcaro durante sessão do STF em 15 de setembro. André Mendonça negou a acusação e chamou-a de mentira. Gilmar Mendes propôs adiar o julgamento para 23 de setembro.

Em sessão desta terça (15), Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de exigir a inclusão de seu nome em eventual delação de Daniel Vorcaro. Mendonça negou e chamou a acusação de mentira. Gilmar Mendes propôs adiar o julgamento para 23 de setembro.

Dr. Adelmo Brandão Pacheco
Por Dr. Adelmo Brandão PachecoJuiz aposentado e comentarista de processo penal
Brasília · 15 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Moraes acusa Mendonça de querer incluir seu nome em delação de Vorcaro

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) foi palco, nesta terça-feira (15), de uma discussão direta entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, durante o julgamento sobre a possível abertura de investigação contra o próprio Moraes. O caso decorre da divulgação de relatório da Operação Compliance Zero que vincula Moraes ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.

Moraes acusou Mendonça de ter exigido dos investigadores da operação a inclusão de seu nome em uma eventual delação premiada de Vorcaro, investigado por corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias. "Quem tem medo da Polícia Federal?", indagou Moraes. "Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada [de Vorcaro]?" Segundo o ministro, advogados e policiais teriam presenciado o pedido.

Para Moraes, a atitude teria motivação político-eleitoral, ligada à relação entre Mendonça e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o indicou ao cargo. No ano passado, Bolsonaro e aliados foram condenados pela Primeira Turma do Supremo por liderar tentativa de golpe de Estado.

Em plenário, Mendonça negou qualquer direcionamento do caso Master ou pedido para incluir Moraes em delação de Vorcaro. "Isso é mentira!", exclamou, repetindo a palavra três vezes. Sobre eventuais testemunhas, afirmou que, se chamadas, "vão todas mentir".

Após a troca de acusações, o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, também atribuiu a Mendonça motivações político-partidárias ao ter levantado o sigilo do relatório da Compliance Zero. Gilmar apresentou questão de ordem para adiar o julgamento para 23 de setembro, mesma data marcada para analisar pedido de Moraes de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade. A sessão foi suspensa para almoço pelo presidente Edson Fachin, com retorno previsto para as 15h.

O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando Mendonça levantou o sigilo do documento. O ato desencadeou crise institucional no STF, com divulgação recíproca de relatórios e pedidos mútuos de investigação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial, argumentando que Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar o presidente da Corte ou o plenário. O nome do procurador-geral Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF atribui a Vorcaro.

O relatório divulgado por Mendonça reúne 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data da prisão preventiva do ex-banqueiro. Em um trecho, Vorcaro sugere ter enviado a Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro, o ex-banqueiro aparenta buscar informações sobre operação iminente para prendê-lo. Em defesa apresentada na madrugada desta terça, Moraes negou irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.

Em reação, Moraes divulgou, em 2 de setembro, o que disse ser relatório de inteligência da PF sugerindo que Mendonça teria direcionado as investigações para atingir desafetos políticos. O documento, porém, não é assinado nem traz timbre da corporação, e a capa alerta que o material foi produzido como conjectura e "sem valor probatório". como funciona a delação premiada no STF

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