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Mendonça inclui Flávio Bolsonaro em inquérito do caso Dark Horse

ResumoAndré Mendonça, ministro do STF, determinou a inclusão do senador Flávio Bolsonaro no inquérito que apura o financiamento de R$ 61 milhões ao filme Dark Horse. A investigação atende a pedido da Polícia Federal e tem aval da Procuradoria-Geral da República.

O ministro André Mendonça, do STF, determinou a abertura de inquérito para apurar a participação do senador Flávio Bolsonaro no financiamento de R$ 61 milhões ao filme Dark Horse. A apuração nasce de pedido da PF e tem aval da PGR.

Dr. Hélio Faleiro Mont'Alverne
Por Dr. Hélio Faleiro Mont'AlverneAdvogado de compliance e crimes econômicos
Brasília · 11 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Mendonça inclui Flávio Bolsonaro em inquérito do caso Dark Horse

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquérito policial para apurar a participação do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em supostos crimes no financiamento ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A inclusão do senador como investigado ocorreu em 22 de julho.

O caso interessa a quem opera em ambientes regulados porque expõe o rastro documental de um repasse de R$ 61 milhões, valor que teria sido disponibilizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, a pedido do senador. A suspeita central é essa: o recurso teria sido direcionado para custear a produção da obra cinematográfica.

O fluxo do dinheiro e o pedido da PF

A apuração nasceu de requerimento da Polícia Federal e recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). No pedido, a PF sustenta a necessidade de instaurar procedimento sigiloso para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e delitos correlatos, em tese praticados pelo senador no contexto do financiamento ao filme junto ao Banco Master.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também é alvo da investigação, apontado como possível beneficiário de parte do dinheiro. A existência do inquérito com Flávio como alvo direto veio à tona depois que Mendonça levantou o sigilo, na noite de quinta-feira (10), de 15 procedimentos derivados da Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro e seu grupo.

A publicidade dos documentos foi requerida pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível. O teor do inquérito em si, assim como toda a apuração envolvendo o Master e o filme, permanece sob sigilo por decisão de Mendonça.

Delação, áudios e o que isso muda para a governança

Na quarta-feira (11), Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", apontado como responsável por repasses em dinheiro vivo relacionados ao filme. A ligação entre Flávio e Vorcaro veio à tona após a publicação, pelo portal The Intercept Brasil, de áudios em que o senador aparece pedindo recursos para a produção de Dark Horse.

Desde a publicação, Flávio Bolsonaro não nega a autenticidade da gravação e afirma não haver irregularidade em buscar recursos privados para financiar o filme sobre seu pai. A Agência Brasil informou que tenta contato com a defesa do parlamentar.

Para empresas que captam recursos privados, o episódio reforça uma premissa do compliance criminal: operações de patrocínio e investimento cultural precisam de lastro documental que explique origem, finalidade e beneficiário final de cada repasse. É esse rastro, e não a narrativa, que sustenta ou derruba uma tese de defesa em investigações de lavagem.

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