Direito do Trabalhador

Dino cita descumprimento de normas e sugere julgamento conjunto dia 23

ResumoFlávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, apontou descumprimento de normas regimentais na avocação de relatorias pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e propôs concentrar todos os julgamentos relativos ao Banco Master em sessão única no dia 23 de setembro. A sugestão consta de ofício divulgado durante sessão plenária do STF.

Em ofício divulgado durante sessão plenária, o ministro Flávio Dino, do STF, questionou a avocação de relatorias pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e sugeriu reunir todos os julgamentos sobre o Banco Master no dia 23 de setembro.

Tâmara Quintanilha
Por Tâmara QuintanilhaRepórter de segurança pública e justiça
Brasília · 15 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Dino cita descumprimento de normas e sugere julgamento conjunto dia 23

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou nesta terça-feira (15) atos praticados pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para tomar para si as relatorias dos processos envolvendo as acusações contra os também ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O ofício foi publicado durante sessão plenária que decide se Moraes poderá ser investigado por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master.

No documento, Dino solicita a junção de todos os julgamentos relativos ao Banco Master para o próximo dia 23. Ele sustenta que não há previsão legal para que o presidente da Corte avoque processos de relatoria de outros ministros. "Ocorre que inexiste previsão de 'avocação' de processos de relatoria de outros ministros pelo ministro presidente da Corte, sob quaisquer hipóteses, condições e/ou situações. Nem a Constituição Federal, nem qualquer outra legislação vigente no ordenamento brasileiro, traz tal permissivo", escreveu.

Pouco antes, o ministro Gilmar Mendes defendeu a imparcialidade da Corte na sessão plenária e questionou o fato de Fachin ter assumido a relatoria do caso envolvendo mensagens de Vorcaro supostamente enviadas a Alexandre de Moraes. Em resposta, Fachin disse não haver decisão alguma de sua parte avocando os autos. "Os autos foram encaminhados pelo ministro relator à presidência", detalhou. "Porque o juiz natural para julgar essa matéria é o plenário", completou, citando que, em momento algum, destituiu o relator.

O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo sobre o documento. O ato desencadeou uma crise institucional sem precedentes no STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar isso ao presidente da Corte ou ao plenário. A PGR sugere que isso pode representar direcionamento por parte de Mendonça, entre outros argumentos. O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

O relatório divulgado por Mendonça apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Nelas, o ex-banqueiro aparenta ter uma relação de proximidade com o ministro. Em um trecho do que aparenta ser uma conversa, Vorcaro sugere ter enviado para a consideração de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Em defesa apresentada na madrugada desta terça (15), o ministro negou ter cometido qualquer tipo de irregularidade e classificou o relatório que contém supostas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a ele como inconstitucional e ilegal.

Em reação ao relatório da PF, Moraes divulgou, em 2 de setembro, o que disse ser um relatório de inteligência também da PF, no qual se sugere que Mendonça possa ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero para atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e "sem valor probatório".

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.

Leia também

Publicidade