Direito do Consumidor

9 passos para registrar marca no Brasil: guia prático

ResumoO registro de marca no Brasil pelo INPI segue 9 passos: busca de anterioridade, preparação de documentos, protocolo do pedido, exame formal, publicação na RPI, oposição, exame de mérito, concessão e emissão do certificado. Cada etapa exige prazos e taxas específicas, com duração média de 18 a 24 meses para conclusão do processo.

Registrar uma marca no Brasil exige planejamento e atenção aos detalhes. Neste guia, apresento os 9 passos essenciais, desde a busca de anterioridade até a concessão, com base na minha experiência como juiz e nos procedimentos do INPI.

Dr. Adelmo Brandão Pacheco
Por Dr. Adelmo Brandão PachecoJuiz aposentado e comentarista de processo penal
Brasília · 30 de junho de 2026 · 5 min de leitura
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Registrar uma marca no Brasil é um processo que exige método e paciência. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é o órgão responsável, e o caminho até a concessão pode levar de 12 a 24 meses. Para evitar surpresas, apresento os 9 passos essenciais que todo empreendedor deve seguir. Cada etapa tem sua razão de ser, e ignorá-las pode custar caro.

1. Busca de anterioridade

Antes de qualquer providência, é preciso verificar se a marca que você pretende registrar já não foi solicitada ou registrada por terceiros. Essa busca pode ser feita gratuitamente no sistema do INPI, mas exige cuidado: a classificação de produtos e serviços (a Classificação de Nice) é técnica e qualquer erro pode levar a falsos negativos. Por exemplo, uma marca para "serviços de advocacia" não conflita com a mesma marca para "bebidas", mas duas marcas idênticas na mesma classe geram recusa automática. Se achar que o processo é complexo, um profissional especializado pode ajudar.

2. Definição do titular (CPF ou CNPJ)

Uma dúvida comum é se é melhor registrar a marca no CPF ou no CNPJ. Tecnicamente, o INPI aceita ambos, mas a recomendação prática é registrar no CNPJ da empresa que efetivamente usará a marca. Isso porque a marca é um ativo empresarial, e a transferência futura para o CNPJ gera custos e burocracia. Se você é profissional liberal, o CPF pode ser suficiente, mas lembre-se: a marca segue o titular, e mudanças societárias podem complicar o direito de uso.

3. Preparação da documentação

O INPI exige documentos básicos: procuração (se houver representante), comprovante de pagamento da taxa e, para pessoas jurídicas, o contrato social. Um erro frequente é enviar documentos ilegíveis ou com dados divergentes. Por exemplo, o CNPJ do titular deve ser exatamente o mesmo que consta na Receita Federal. Qualquer inconsistência gera exigência e atrasa o processo.

4. Acesso ao sistema e-Marcas

Todo o processo é eletrônico, pelo sistema e-Marcas do INPI. É necessário criar um login no portal Gov.br, com nível de segurança prata ou ouro. Sem isso, o sistema não permite o peticionamento. Se você não tem familiaridade com plataformas digitais, peça ajuda a um contador ou advogado.

5. Preenchimento do formulário

O formulário exige informações precisas: o nome da marca, a classe (de 1 a 45), a especificação de produtos ou serviços e o tipo de marca (nominativa, mista, figurativa ou tridimensional). Um erro comum é escolher a classe errada. Por exemplo, uma loja de roupas pode precisar registrar na classe 25 (vestuário) e também na classe 35 (serviços de varejo). A especificação deve ser clara e restrita ao que você realmente oferece.

6. Pagamento das taxas

O valor total para registrar uma marca no Brasil varia conforme a quantidade de classes e o porte da empresa. Em 2025, a taxa básica para microempresa é de aproximadamente R$ 142,00, enquanto para pessoa física ou empresa de pequeno porte, o valor pode chegar a R$ 355,00 por classe. Além disso, há a taxa de concessão, devida após a aprovação, de cerca de R$ 745,00 para pessoa física. Esses valores são atualizados periodicamente pelo INPI, então consulte o site oficial antes de pagar.

7. Publicação e oposição

Após o depósito, o pedido é publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI). Terceiros têm 60 dias para apresentar oposição, contestando o registro. Se isso ocorrer, o INPI notifica o titular, que deve se manifestar. Um exemplo real: em 2023, uma grande rede de fast-food opôs-se ao registro de uma marca similar de hambúrguer artesanal. A defesa bem fundamentada salvou o registro do pequeno empresário.

8. Exame técnico e exigências

O INPI analisa o pedido quanto a aspectos formais e de distintividade. Se houver irregularidades, o examinador emite uma exigência, que deve ser respondida em 60 dias. As exigências mais comuns são: inadequação da especificação, conflito com marcas anteriores ou falta de documentos. Ignorar uma exigência leva ao arquivamento definitivo do pedido.

9. Concessão e certificado

Se tudo estiver correto, o INPI concede o registro e emite o certificado. A partir daí, a marca é protegida por 10 anos, renováveis por períodos iguais. Com o certificado em mãos, você pode usar o símbolo ® e, se necessário, tomar medidas judiciais contra quem usar a marca indevidamente. Uma dica prática: guarde o certificado em local seguro e registre a marca nos sistemas de busca para facilitar futuras renovações.

FAQ

Qual o valor total para registrar uma marca no Brasil?

O custo varia conforme o porte da empresa e o número de classes. Para microempresa, a taxa inicial é de cerca de R$ 142,00 por classe, mais a taxa de concessão de aproximadamente R$ 745,00. Para pessoa física, os valores são mais altos. Consulte a tabela oficial do INPI para valores atualizados.

Como registrar marca Brasil?

O registro é feito pelo sistema e-Marcas do INPI. É necessário criar uma conta no Gov.br, preencher o formulário eletrônico, pagar a taxa e acompanhar o andamento. O processo leva de 12 a 24 meses.

É melhor registrar marca no CPF ou CNPJ?

Recomenda-se registrar no CNPJ da empresa que usará a marca, pois facilita a gestão do ativo e evita burocracia em transferências futuras. O CPF é aceito, mas não é ideal para negócios.

É possível registrar marca sozinho?

Sim, é possível. O sistema do INPI é acessível, mas exige conhecimento técnico sobre classificação de produtos e serviços. Um erro pode atrasar ou inviabilizar o registro. Muitos optam por contratar um profissional especializado.

Quanto tempo leva para registrar uma marca?

O prazo médio é de 12 a 24 meses, contados do depósito até a concessão. O tempo pode aumentar se houver oposição ou exigências. Acompanhe o andamento pelo site do INPI.

Posso usar o símbolo ® antes do registro?

Não. O uso do ® antes da concessão do certificado é irregular e pode configurar concorrência desleal. Até o registro, use ™ (trade mark) para indicar que o pedido foi depositado.

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