# Zanin: investigar Moraes sem julgar Mendonça é inversão lógica

> Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, afirmou durante julgamento em 15 de abril que investigar Alexandre de Moraes antes de julgar a suspeição de André Mendonça configuraria inversão lógica dos atos processuais. A declaração ocorreu no contexto de análise sobre a ordem adequada das decisões envolvendo os dois ministros.

*IDECrim · Direito do Trabalhador · 15 de setembro de 2026 · Quézia Andrade Tupinambá*

No julgamento desta terça (15), Cristiano Zanin disse que analisar a investigação contra Alexandre de Moraes sem antes julgar a suspeição de André Mendonça seria uma inversão lógica dos atos processuais.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que não é possível autorizar a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem antes analisar a legalidade das medidas tomadas pelo relator do caso do Banco Master, o também ministro André Mendonça.

A declaração foi dada durante o julgamento de uma questão de ordem levantada no início da sessão pelo ministro Gilmar Mendes, que pediu a inclusão da análise pelo plenário das supostas irregularidades que teriam sido cometidas por Mendonça. Ao se dirigir a Edson Fachin, presidente da Corte, Zanin explicou que as duas questões estão totalmente correlacionadas.

"Vossa excelência, ao assumir a relatoria dessa petição, expressamente indica a possibilidade de haver aqui o reconhecimento da suspeição do eminente ministro André Mendonça. Ora, se existe essa possibilidade, hipoteticamente, e ela foi colocada por vossa excelência, me parece que julgar ou analisar o início, uma autorização de investigação, sem saber se a suspeição será reconhecida, seria uma inversão lógica dos atos processuais", afirmou Zanin.

O ministro ressaltou que o reconhecimento da suspeição poderá ter consequências jurídicas. "Esse é um dado, para mim, determinante também para acolher a questão de ordem", disse.

No início da sessão, Fachin reafirmou sua posição favorável ao julgamento de Moraes e Mendonça em dias distintos. O plenário analisa se o caso terá a inclusão das supostas irregularidades atribuídas ao antigo relator do caso. Até o momento, a questão de ordem conta com os votos favoráveis de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. No voto proferido durante o julgamento, Dino afirmou que não há clareza quanto ao rito definido pelo presidente da Corte para julgar hoje somente o caso envolvendo Moraes. O julgamento prossegue com os votos dos demais ministros.

O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando Mendonça levantou o sigilo sobre o documento. O ato desencadeou uma crise institucional no STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar isso ao presidente da Corte ou ao plenário. A PGR sugere que isso pode representar direcionamento por parte de Mendonça, entre outros argumentos. O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

O relatório divulgado por Mendonça apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Nelas, o ex-banqueiro aparenta ter uma relação de proximidade com o ministro. Em um trecho do que aparenta ser uma conversa, Vorcaro sugere ter enviado para a consideração de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Em defesa apresentada na madrugada desta terça (15), Moraes negou ter cometido qualquer tipo de irregularidade e classificou o relatório que contém supostas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a ele como inconstitucional e ilegal.

Em reação ao relatório da PF, Moraes divulgou, em 2 de setembro, o que disse ser um relatório de inteligência também da PF, no qual se sugere que Mendonça possa ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero para atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e "sem valor probatório".

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.

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Fonte (canonical): https://idecrim.com.br/direito-do-trabalhador/zanin-nao-investigar-moraes-sem-julgar-atos-mendonca/
