# Gilmar acusa Mendonça de usar caso Master para interferir em eleição

> Gilmar Mendes, decano do STF, acusou o ministro André Mendonça de conduzir o caso Master com viés político-eleitoral, sugerindo uso do processo para interferir nas eleições. Mendonça rebateu e classificou a suspeita como leviana. A sessão plenária extraordinária do Supremo avalia a abertura de investigação criminal contra um ministro da própria Corte.

*IDECrim · Direito do Trabalhador · 15 de setembro de 2026 · Dr. Hélio Faleiro Mont'Alverne*

O decano do STF, Gilmar Mendes, acusou o ministro André Mendonça de conduzir o caso Master com viés político-eleitoral. Mendonça reagiu e chamou a suspeita de leviana. A sessão plenária extraordinária avalia a abertura de investigação criminal contra um ministro.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de usar sua relatoria do caso Master para interferir na eleição presidencial marcada para 4 de outubro. A acusação ocorreu durante sessão plenária extraordinária convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Segundo Gilmar Mendes, houve viés político-eleitoral na condução do tema. "Com todas as vênias e toda sinceridade, presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido", afirmou o decano, dirigindo-se a Fachin. "Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso", acrescentou.

Mendonça respondeu de imediato. Chamou a suspeita de leviana e pediu que o colega não apontasse o dedo para ele. "Não aponte o dedo para mim", afirmou. Em seguida, ouviu calado à manifestação do decano, após Fachin assegurar que ele terá tempo para responder às imputações.

O julgamento analisa um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que vincula o ministro Alexandre de Moraes ao ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O sigilo sobre o documento foi levantado por Mendonça em 1º de setembro. Pela primeira vez na história do STF, a Corte avalia se abre uma investigação de cunho criminal contra um de seus membros.

Mendes afirmou que Mendonça escolheu deliberadamente a data para coincidir com manifestações populares do 7 de setembro. "O interesse é evidente, acachapante. Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral, é disso que estamos falando", disse. O decano se referiu ao boneco inflável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que costuma estar presente em manifestações da oposição.

Ao final, Mendes levantou questão de ordem para que o julgamento fosse adiado para 23 de setembro, data em que Fachin agendou a análise de um pedido de Moraes para que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade na condução do caso Master. A sessão foi suspensa para almoço, com retomada prevista para as 15h.

Participam do julgamento todos os ministros do Supremo. Mais cedo, os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedido e suspeito, respectivamente. Moraes e Mendonça sentam lado a lado na sessão.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar o presidente da Corte ou o plenário. A PGR sugere que isso pode representar direcionamento por parte de Mendonça. O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

O relatório divulgado por Mendonça apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Em um trecho, Vorcaro sugere ter enviado para a consideração de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro, o ex-banqueiro parece buscar informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data da prisão preventiva de Vorcaro.

Em defesa apresentada na madrugada desta terça (15), Moraes negou irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. Em reação, divulgou em 2 de setembro o que disse ser um relatório de inteligência também da PF, no qual se sugere que Mendonça possa ter direcionado as investigações para atingir desafetos políticos. O documento não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que foi produzido como conjectura e "sem valor probatório".

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.

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