# Flávio Dino pede vista de julgamento sobre Moraes e Mendonça

> Flávio Dino pediu vista no julgamento que discutia a atuação de Alexandre de Moraes e André Mendonça, interrompendo a sessão após bate-boca entre Gilmar Mendes e Mendonça. O placar parcial registrava 4 votos a 3, e a retomada da análise ainda não tem data definida pelo Supremo Tribunal Federal.

*IDECrim · Direito do Trabalhador · 16 de setembro de 2026 · Dr. Adelmo Brandão Pacheco*

Pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a sessão após bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Placar parcial ficou em 4 votos a 3, e a análise não tem data para ser retomada.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista do julgamento que decidiria se os casos dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser julgados simultaneamente. O pedido foi feito após os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes iniciarem um bate-boca sobre a condução do caso Master. Com a vista, a análise não tem data para ser retomada.

O placar parcial do julgamento ficou em 4 votos a 3. Votaram pelo julgamento conjunto os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Apesar de ter defendido o julgamento conjunto, Dino pediu para não computar sua posição no placar provisório por ter pedido vista. O presidente do STF, Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça votaram pelo julgamento separado.

## Como o impasse se instalou na sessão

Na manhã desta terça-feira (15), o Supremo começou a analisar se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso foi pautado pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Gilmar Mendes suscitou uma questão de ordem para retomar o julgamento na quarta-feira (23) e incluir a análise das supostas irregularidades que teriam sido cometidas pelo antigo relator, ministro André Mendonça, ao solicitar ao plenário a investigação contra Moraes. Mendes também defendeu que o caso fosse redistribuído entre os membros do tribunal, e não permanecesse sob a relatoria do presidente da Corte.

Na parte da tarde, os ministros começaram a deliberar sobre a questão, mas o julgamento foi interrompido pelo pedido de vista de Dino após o bate-boca entre Mendes e Mendonça. A discussão começou durante a fala do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que cumprimentou Mendonça por ter reconhecido que não há ilegalidades nas conversas nas quais ele teria sido citado por Vorcaro.

Mendonça disse: "Talvez avaliasse se não deveria ter feito isso, talvez hoje, conhecendo os fatos". Em seguida, a fala foi interrompida por Mendes: "É impressionante que Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso é leviandade. O sujeito investido de um sentimento policialesco com seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeit". Mendonça respondeu aos gritos: "A desfaçatez de Vossa Excelência. Me respeite". Mendes rebateu: "Pode chorar". Mendonça respondeu: "Não tem choro não, respeite".

## O que sustenta a decisão em recurso

O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando André Mendonça levantou o sigilo sobre o documento. O ato desencadeou uma crise institucional no STF, com divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigação. A Procuradoria-Geral da República pediu a Fachin a anulação do relatório parcial, argumentando que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar o presidente da Corte ou o plenário. A PGR sugere que isso pode representar direcionamento por parte de Mendonça. O nome de Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

O relatório divulgado por Mendonça apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Em um trecho, Vorcaro sugere ter enviado para a consideração de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro, Vorcaro parece buscar informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Em defesa apresentada na madrugada desta terça (15), Moraes negou ter cometido qualquer irregularidade e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. Em reação, divulgou em 2 de setembro o que disse ser um relatório de inteligência também da PF, no qual se sugere que Mendonça possa ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero para atingir desafetos políticos. O documento não é assinado nem traz o timbre da corporação, e traz na capa o alerta de que o material foi produzido como conjectura e "sem valor probatório". Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.

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