# Fachin pede que ministros deixem disputa pessoal de lado

> Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, solicitou em sessão extraordinária que os ministros da Corte deixem disputas pessoais de lado durante julgamento sobre abertura de investigação criminal contra Alexandre de Moraes, suspeito de envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido busca preservar a imparcialidade e o caráter institucional da decisão do STF.

*IDECrim · Direito do Trabalhador · 15 de setembro de 2026 · Sun-hee Vasconcelos Lima*

Em sessão extraordinária, o presidente do STF, Edson Fachin, pediu que os ministros deixem a disputa pessoal de lado ao julgar se abrem investigação criminal contra Alexandre de Moraes, suspeito de envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pediu nesta terça-feira (15) que os demais ministros deixem de lado a disputa pessoal e observem o equilíbrio, a serenidade e a responsabilidade ao julgar se iniciam investigação contra um de seus membros, o ministro Alexandre de Moraes. Ele é suspeito de envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A fala de Fachin abre uma sessão extraordinária que analisa relatório da Polícia Federal que vincula Moraes ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Master. Pela primeira vez em sua história, o STF julga se abre investigação de cunho criminal contra um de seus ministros. A sessão foi marcada pelo próprio presidente da Corte.

No discurso de abertura, Fachin disse não ter tomado a decisão fácil ao convocar a sessão e reafirmou ser necessário preservar a instituição, acima de qualquer relação de afinidade pessoal.

"Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência é legítima; o confronto pessoal não. E a decisão pertence ao Plenário, não a um ministro individualmente", afirmou.

O presidente do STF também delimitou o que está em jogo naquela análise.

"Há limites que não decorrem da amizade ou da afinidade pessoal, mas da própria função que exercemos", disse Fachin.

Em sua fala, que ainda continua na Corte, Fachin citou trechos da trajetória profissional de cada ministro e mencionou ministros aposentados para, em seguida, invocar a responsabilidade de se preservar a memória do STF.

"Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos", declarou, ao acrescentar que cabe à presidência da Corte "fazer com que o Supremo permaneça sendo um tribunal".

Logo após o discurso, Fachin deu início à leitura do relatório sobre o caso. O presidente do Supremo é relator de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o documento da PF que menciona Moraes.

Em seguida, Fachin deve passar a palavra ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Depois, será a vez de sustentações orais das partes no processo. Ainda não se sabe se Moraes falará em causa própria. Somente após esses passos que Fachin deverá apresentar seu voto, como relator. Logo depois, votam os demais ministros, em ordem de antiguidade.

O relatório da PF com menção a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo sobre o documento, que apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro aparente ter uma relação de proximidade com o ministro.

O relatório parcial foi apresentado no âmbito da Operação Compliance Zero, da qual Mendonça era relator e que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.

A PGR, por sua vez, argumenta que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar isso ao presidente da Corte ou ao plenário. A PGR sugere que isso pode representar direcionamento por parte de Mendonça, entre outras irregularidades apontadas. O nome de Gonet também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

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Fonte (canonical): https://idecrim.com.br/direito-do-trabalhador/fachin-pede-ministros-deixem-disputa-pessoal-lado/
