# Moraes aponta escolha seletiva e pede divulgação total do caso Master

> Alexandre de Moraes solicitou a Edson Fachin a retirada total do sigilo sobre documentos da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias no caso Master. Moraes apontou escolha seletiva na divulgação de informações e defendeu transparência integral do processo para evitar manipulação narrativa.

*IDECrim · Direito do Consumidor · 11 de setembro de 2026 · Dr. Reinaldo Bastos Coelho*

Ministro Alexandre de Moraes enviou ofício a Edson Fachin apontando escolha seletiva na divulgação de documentos do caso Master e pediu a retirada de todo sigilo sobre a Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apontando o que chama de escolha seletiva na divulgação de documentos sobre as investigações do caso Master. O destinatário da crítica é o relator do caso no STF, ministro André Mendonça.

Moraes requereu a retirada de todo e qualquer sigilo dos documentos relativos à Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.

## O que Mendonça manteve sob sigilo

Mendonça levantou na noite de quinta-feira (10) o sigilo sobre 15 procedimentos de investigação derivados da operação. A medida veio após solicitação formal de Fachin, em meio a uma crise institucional no Supremo.

No requerimento enviado a Mendonça, Fachin pediu a divulgação de todos os documentos, ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida.

Moraes indicou que Mendonça manteve o sigilo sobre 180 documentos com base em uma escolha subjetiva. Para ele, isso impede que os demais ministros analisem todas as provas ligadas à Compliance Zero.

Entre os pontos mantidos sob segredo de Justiça estão as apurações sobre o suposto repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outra investigação preservada trata da ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o advogado Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do Master.

## Julgamento conjunto e due process

Moraes pediu o imediato levantamento de todo e qualquer sigilo, sem exceção, dos procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556, evitando escolha seletiva e direcionamento subjetivo, garantindo total isonomia e respeito ao Devido Processo Legal. Solicitou ainda que a Diretoria de TI certifique quantos procedimentos efetivamente existem.

Ele também requereu a inclusão na pauta da sessão plenária de terça-feira (15) do pedido de investigação que fez contra Mendonça. Fachin havia pautado apenas um pedido de Mendonça contra Moraes, que aparece nas investigações do Master como interlocutor direto de Vorcaro.

Para Moraes, um pedido tem total conexão com o outro e os dois devem ser julgados em conjunto, para evitar risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual.

## O que isso muda para quem acompanha o caso

Na semana passada, Moraes encaminhou a Fachin um relatório de inteligência da Polícia Federal que sugere que Mendonça estaria direcionando as investigações do caso Master de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, e estampa na capa o aviso de que se trata de análises sem valor probatório.

A atitude de Moraes respondeu à retirada de sigilo, por Mendonça, de um relatório parcial da Compliance Zero com 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra proximidade com o ministro e aparenta ter encaminhado a ele um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, Vorcaro parece buscar informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor não puderam ser resgatadas, informaram os investigadores. Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro.

Na prática, o pedido de Moraes empurra para o plenário uma disputa sobre o que deve ou não permanecer sob sigilo. Se a maioria acompanhar o requerimento, todos os procedimentos da PET 15.556 se tornam públicos de uma vez, e os dois pedidos de investigação cruzados sobem juntos. É a diferença entre um caso conduzido por um relator e um caso exposto ao colegiado inteiro.

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