# Irmãos são condenados pela morte do contraventor Fernando Iggnácio

> Os irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro foram condenados pelo assassinato do contraventor Fernando Iggnácio. O crime, julgado pelo I Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, envolveu emboscada e brutalidade. A sentença destacou a frieza dos réus durante a execução.

*IDECrim · Direito de Familia · 20 de julho de 2026 · Iberê Mascarenhas Lobo*

Os irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro foram condenados pelo assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, em um caso que envolve emboscada e brutalidade. A decisão do I Tribunal do Júri do Rio de Janeiro destaca a frieza do crime.

Os irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro foram condenados pelo I Tribunal do Júri do Rio de Janeiro pelo assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, genro do bicheiro Castor de Andrade, um dos principais contraventores do Rio de Janeiro nas décadas de 1970 e 1980. O crime, que gerou grande repercussão, aconteceu em novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste da cidade.

O juiz Thiago Portes, que presidiu a sessão, fixou a pena de Pedro Emanuel em 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão. Seu irmão, Otto Samuel, recebeu uma sentença de 31 anos, 5 meses e 6 dias. Ambos cumprirão a pena em regime inicialmente fechado, o que reflete a gravidade da conduta dos réus e a natureza violenta do crime.

Fernando Iggnácio, casado com a filha de Castor de Andrade, foi vítima de uma emboscada no estacionamento do heliponto Heli-Rio, na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes. Na ocasião, ele havia retornado de helicóptero de Angra dos Reis, na Costa Verde, como fazia todas as segundas-feiras, sempre acompanhado da esposa. O contraventor passava os finais de semana em sua casa de praia, o que tornava sua rotina previsível e vulnerável a ataques.

De acordo com a denúncia apresentada, os executores do crime permaneceram escondidos em um terreno vazio, vizinho ao heliponto. Armados com fuzis, eles dispararam contra a vítima, que foi mortalmente atingida por um tiro na cabeça. A brutalidade da ação chamou a atenção do juiz, que na sentença destacou a "frieza e violência exagerada" dos irmãos.

Um dos aspectos que agravaram a pena foi o fato de o crime ter sido cometido na presença da esposa de Iggnácio. Ela estava dentro do helicóptero e presenciou o marido sendo atingido a poucos metros de distância, o que adicionou um elemento emocional e traumatizante ao caso.

Durante o interrogatório, os réus optaram pelo silêncio, uma decisão que pode ter sido estratégica, considerando a gravidade das acusações. Após a leitura da sentença, a defesa dos irmãos informou que pretende recorrer da decisão junto à segunda instância, o que pode prolongar o processo e gerar novas discussões jurídicas sobre o caso.

Outro acusado, Rodrigo Silva das Neves, já havia sido julgado e condenado em abril deste ano a mais de 32 anos de reclusão. Essa condenação anterior evidencia que o caso possui múltiplos envolvidos e uma complexidade que vai além dos irmãos D' Onofre Andrade.

Além disso, Rogério de Andrade, primo da mulher de Iggnácio, foi apontado como o mandante do crime e responde ao caso em um processo separado. Ele está atualmente preso em um presídio federal, fora do Rio de Janeiro, aguardando julgamento. Essa situação ressalta a interconexão entre as figuras envolvidas no crime e as dinâmicas de poder e influência no submundo do crime organizado no estado.

A condenação dos irmãos D' Onofre Andrade demonstra a atuação do sistema judiciário em lidar com crimes de grande repercussão e a importância de se garantir que todos os envolvidos sejam responsabilizados. O impacto social dessa condenação é significativo, especialmente em um contexto onde o crime organizado ainda exerce uma forte influência sobre diversas áreas da sociedade.

Esse caso também levanta questões sobre a segurança pública no Rio de Janeiro e a necessidade de um combate mais eficaz ao crime organizado, que continua a ser um desafio para as autoridades locais. A forma como a Justiça trata casos como o de Fernando Iggnácio pode servir como um exemplo para futuros julgamentos e para a sociedade em geral, que busca justiça e segurança.

Ao longo deste caso, é crucial que a sociedade esteja atenta ao desdobramento das apelações e às possíveis implicações que isso pode ter para a percepção pública sobre a eficácia do sistema judiciário. A condenação dos irmãos é um passo importante, mas a luta contra o crime organizado requer esforços contínuos e uma abordagem multifacetada, que leve em consideração não apenas a punição, mas também medidas preventivas e sociais que possam mitigar a influência do crime organizado na vida das pessoas.

Portanto, a condenação dos irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro pelo assassinato de Fernando Iggnácio é um reflexo da luta da Justiça contra a impunidade, mas também um lembrete da necessidade de uma abordagem mais ampla e integrada no combate ao crime, que vai além das penas aplicadas e busca transformar a realidade social que alimenta essas práticas criminosas.

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Fonte (canonical): https://idecrim.com.br/direito-de-familia/irmaos-sao-condenados-pela-morte-contraventor-fernando-iggnacio/
