José Alencar: exemplo de Natal ou beleza da vitória da vida sobre a morte?

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Raimundo Palmeira (*)

Não admiro os seres humanos pelo cargo que ocupam ou pela parcela de poder que detêm. Admiro-os pela força que demonstram na luta do bem contra o mau, na constante batalha da vida contra a morte, no jeito de ser simples e autêntico, independente do que possuam. Durante os últimos anos, passei a dispensar uma admiração incondicional a um nome da política brasileira; logo eu que aprendi a ter medo dos políticos; logo eu que aprendi a enojar-me com o riso falso, as imagens editadas de caras bonitinhas, a facilidade de desprezar velhos amigos e apoiadores, a depender de seus interesses pessoais. À custa de muito prejuízo pessoal, funcional e profissional aprendi a desconfiar da amizade fácil de políticos que, enquanto precisam de você, são os mais prestativos, e passadas as eleições, apóiam muitas vezes projetos em que não acreditam de adversários na busca de soma de apoios e os compromissos pessoais ficam no passado.

Participei de campanhas políticas, fui candidato algumas vezes, e ganhei em troca desprazeres e danos econômicos e pessoais, desgaste, inclusive profissional, pois não aprendi jamais a ser hipócrita, a cobrar favores, que fiz por caridade, ou a condicionar a ajuda humanitária que nunca deixei de prestar à futilidade de um voto, que deve ser demonstração de consciência e nunca moeda de pagamento a uma ajuda. Jamais logrei vitória política ou reconhecimento pela luta aguerrida com que me empenhei em cada campanha da qual participei. Logo eu, que sequer votei na Dilma (optando por seguir a simpatia pessoal que José Serra me despertara pela sua simplicidade ao encontrá-lo certa feita num vôo Brasília-São Paulo,apesar de, passado o pleito, torcer para que ela seja não só a primeira mulher a governar o Brasil, mas a Mulher que resolverá os problemas brasileiros), elegi como herói e alvo de minha admiração, um político brasileiro: o vice-presidente José Alencar.

Homem de posses, mas que nunca perdeu do rosto aquele jeitinho angelical meio paterno, um homem de bem, acima de tudo, competente, eficiente e confiável. Tenho acompanhado sua luta heróica contra uma patologia implacável, mostrando-se nosso bom vice-presidente da República, um homem de aço, corajoso e que faz do seu amor e sua vontade de viver a arma de uma guerra sagrada da vida contra a morte. No dia de Natal, quase fui às lágrimas- não vou mentir, rolaram-me uma lágrima de cada olho – ao ler a notícia de que, em seu leito de recuperação, nosso grande Estadista surpreendera os médicos, ao mostrar controlada mais uma das hemorragia de que padecia, após dizer, na véspera, a Sua Excelência, o Presidente da República, que iria à posse de Dilma na presidência do Brasil e tomaria, ainda, um golinho. 

Mas foi além, e afirmou que ainda dançaria uma xaxado. Que força maravilhosa desse homem magnânimo,sabedor de que nascemos para ser felizes, que tem a coragem de olhar nos olhos da morte e dizer, firme e majestoso: ainda não! Ainda tenho coisas para fazer! E espantar a sombria presença que nos acompanha desde o berço de nascimento e por toda a existência; e espantá-la com a docilidade de seus olhos serenos, com a fé de quem acredita na vida e nas pessoas, com a bondade de suas feições, que por certo, foi responsável por muitas das coisas boas do Governo Lula, ali, caladinho, na discreta função de Vice, sem pompas e nem publicidade, na simplicidade de um ou outro conselho a guiar nosso país pelos rumos da vitória, da vitória da felicidade sobre o sofrimento.

Eu sei que vou vê-lo, José Alencar, dançar um xaxado sim, pois o xaxado simboliza a alegria da dança da vida rumo à plenitude, pois a plenitude virá com a perfeição, no ritmo alegre, nos passos cadenciados, na força da sola dos pés sobre o chão de onde brota a semente de esperança. Que lição, José Alencar! Uma lição de natal; um presente de natal; uma lição de fé, esperança e coragem, na simplicidade de seus traços fisionômicos de homem bom e simples, uma lição de coragem, que nos faz querer voltar a acreditar em Papai Noel e pedir-lhe que traga em seu saco de presentes, entre as bugigangas, brinquedinhos e bonecas, o sopro de um anjo, para lhe presentear a saúde novamente porque você ainda tem tanto de bom para presentear o Brasil, por detrás de seu riso bondoso. Obrigado Vice-Presidente, por sua lição, uma lição natalina de vitória da vida sobre a morte.

(*) O autor é Advogado criminalista em Alagoas, professor dos cursos de graduação e pós graduação em direito da UFAL e Cesmac, mestre pela UFPE, e procurador de carreira do Município de Maceió-Al, e escritor.
 

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