EM DEFESA DOS ADVOGADOS QUE ADVOGAM

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Advogar √© defender, utilizando a legisla√ß√£o, raz√Ķes e argumentos, todo cidad√£o chamado a responder em Ju√≠zo por acusa√ß√£o que lhe √© feita, devendo este, por poder da nossa Constitui√ß√£o Federal, lei maior, ser considerado inocente at√© senten√ßa transitada em julgado.

 

São os Advogados tão importantes para a materialização da Justiça, ordem social, cidadania e democracia quanto os Juízes e os Promotores de Acusação, não havendo qualquer hierarquia entre eles.

 

A ignor√Ęncia gra√ßa entre muitos, mas cabe aos representantes do povo, e assim esperamos (muitas vezes em v√£o), o conhecimento, a sensatez e a sabedoria para fazer com que a Justi√ßa, a ordem social, a cidadania e a democracia sejam efetivadas num Pa√≠s que se diz democr√°tico e republicano.

 

Assim repetimos, os Advogados são insubstituíveis e absolutamente necessários para a efetivação da Justiça, a ordem social, a cidadania e a democracia.

 

Por tudo isso, √© uma irresponsabilidade quando autoridades p√ļblicas, imprensa, apresentadores de televis√£o e tantos outros ignorantes citam advogados (em geral) como parte respons√°vel pelo drama que vive a cidade do Rio de Janeiro, relativamente aos √ļltimos acontecimentos envolvendo traficantes e seus¬† ataques terroristas, ocupa√ß√£o de morros, transfer√™ncia de presos e mais especificamente, a comunica√ß√£o entre esses meliantes e os defensores de seus direitos.

 

Venho em defesa dos advogados que advogam (advogar é...) dizer que é inadmissível nossa classe ter que estar sempre sendo acusada de soltar bandidos que a polícia prende, de estar ao lado do crime, de servir de mensageiro de traficantes.

 

Bandidos h√° de todos os lados. Temos a certeza de que qualquer um pode servir de mensageiro de traficante: advogados, funcion√°rios do pres√≠dio, governadores, prefeitos, ju√≠zes, promotores, policiais, rep√≥rteres, familiares, amigos, etc. Todos que tenham a menor possibilidade de estar em contato com eles. N√£o se esquecendo da liberdade com que utilizam telefones dentro das pris√Ķes.

 

√Č segredo para algu√©m que pessoas honestas, corretas, sensatas existem em qualquer lugar, sendo o contr√°rio tamb√©m uma verdade? Por que a pecha de bandidos sempre voltada aos advogados?

 

Por que sempre a irresponsabilidade dessas pessoas que v√£o para a televis√£o colocar toda uma classe ‚Äď imprescind√≠vel √° manuten√ß√£o da Justi√ßa, da ordem social, da cidadania e da democracia ‚Äď como c√ļmplice de meliantes?

 

Eu, assim como tantos outros colegas, somos profissionais do Direito, defendemos os direitos que pertencem aos nossos clientes. Seguimos as leis, trabalhamos com os recursos que nelas encontramos, lutamos pela manutenção e cumprimento dessas leis. Poucos dos que vão para a televisão sabem a dificuldade que encontramos para fazer isso, porque os direitos dos cidadãos são constantemente desrespeitados, inclusive dos nossos clientes execrados pela sociedade.

 

Eles, por acaso, deveriam ser excluídos dos benefícios da legislação que é para todos? Não deveríamos lutar para defender os seus direitos (e não os seus crimes, como pensam muitos)?

 

Mobilizem-se para que se mudem as leis e os princ√≠pios democr√°ticos, todos esses. V√£o para a televis√£o, com argumentos e raz√Ķes, cientes de conhecimento filos√≥fico, social, human√≠stico, pol√≠tico, econ√īmico, e tracem seus argumentos.

 

Parem de mal falar da classe dos advogados, ao menos em prol dos que advogam, e tenham a paciência para ver julgados os que forem acusados.

 

Temos instrumentos de luta numa democracia, e dois deles n√£o s√£o a l√≠ngua e a ignor√Ęncia, capaz de desestabilizar um povo, uma sociedade, fazendo com que uma parte dela pense ‚Äď porque n√£o sabe pensar por si mesma - que os advogados s√£o c√ļmplices de criminosos.

 

 

Em fevereiro, completarei 20 anos de milit√Ęncia na advocacia criminal. Nunca fui parceiro de meus clientes, mas sempre fui seu advogado de defesa, combativo, dedicado. Tratando-se dos direitos dos meus constituintes, especificados em lei, sou seu defensor, seu patrono sem constrangimentos, j√° que vivemos num Estado democr√°tico de direito.

 

***Roberto Bartolomei Parentoni é Advogado Criminalista - www.parentoni.com - militante há mais de 19 anos, professor e autor de livros jurídicos, especialista em Direito e Processo Penal, atual presidente do IDECRIM - Instituto Jurídico Roberto Parentoni - www.idecrim.com.br -

 

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