Por que aceitei defender Marcola - Por: Roberto Parentoni, Advogado Criminalista

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Por que aceitei defender Marcola - Por: Roberto Parentoni, Advogado Criminalista

Em 2009 iniciei o trabalho de defesa nos processos de J√ļri, entre outros, em que Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, figurava como r√©u.
Para a frustra√ß√£o de muitos, devo dizer que tal incumb√™ncia foi dada a mim por uma din√Ęmica muito simples na teoria e trabalhosa na pr√°tica: experi√™ncia (pela atua√ß√£o em mais de 300 j√ļris, muitos deles dativo, desde 1991) e as concep√ß√Ķes e ideais de defesa transmitidos por meio de nossos cursos de pratica penal, onde as pessoas podem me ver falando com sinceridade sobre essas experi√™ncias, concep√ß√Ķes e ideais.
Para represent√°-lo, cumpri a tarefa da defesa criminal como faria, e fa√ßo, a qualquer cliente: ingressei nos autos, analisei as condi√ß√Ķes em que se encontrava o processo, ou seja, sua hist√≥ria (fatos), as provas; analisei as atitudes da acusa√ß√£o, as do Ju√≠zo, e entrei com a defesa DOS DIREITOS que lhe cabiam mediante o processo, inclusive com v√°rios recursos que foram necess√°rios para garantir tais DIREITOS.
Em um dos casos, em que Marcola foi acusado de ser mandante da morte de um Juiz de Direito, acompanhado pela imprensa e conhecido nacionalmente, em minutos tive que tomar a decis√£o de abandonar a sess√£o do J√ļri, pois DIREITOS do meu cliente foram descumpridos.
O meu dever de defender esses DIREITOS, exigia que eu assim procedesse. Inicialmente, tive que me apropriar do conte√ļdo de 20 volumes do processo em poucos dias; deram-me 30 minutos para conversar com Marcola na pris√£o. Impetrei v√°rios recursos para exercer minhas (nossas) prerrogativas. Aos que desconhecem, n√£o h√° previs√£o de tempo para conversa entre advogado e cliente.
Abandonei o J√ļri e em nova data consegui dois votos a favor do meu cliente, sendo que ainda hoje afirmo a fraqueza das provas contra ele admitidas, estando o processo em recurso.¬† Em alguns processos de j√ļri que Marcola responde, a tese da defesa foi acatada, sendo impronunciado.
Quero dizer que nunca nutri nenhuma preocupação quanto a esta defesa ou qualquer outra e explico, a título de compartilhamento aos jovens advogados e antigos, que a fiz cumprindo o meu ofício de criminalista, com consciência, habilidade e responsabilidade, com o pensamento precípuo de que defendo DIREITOS.
Ademais, parto do pressuposto de que a acusação zela, da mesma forma, ou seja, com consciência, habilidade e responsabilidade, pelo trabalho de provar a culpa do acusado, seja ele quem for.
Na época em que assumi a defesa de Marcola, ele era considerado, senão o maior, um dos maiores infratores do Brasil. Hoje vemos sendo processados e presos políticos, como exemplo, Sérgio Cabral, ex-Governador do Rio de Janeiro, e empresários, como Eike Batista, que já foi considerado o homem mais rico do Brasil. Não preciso dizer muito como cidadão, mas como advogado criminalista militante desde 1991 eu e os defensores dessas pessoas, se me permitem, temos o dever e a obrigação de garantir um julgamento justo, dentro da lei. Ninguém se engane achando que sem a presença do Advogado ou Advogada pode-se fazer justiça.
A quem se prestou a estudar Direito e escolheu ser criminalista, não cabe conflitos se compreende que a sua tarefa é defender DIREITOS. Se houver, não assuma a causa. O cliente tem direitos, e se estes estão sendo violados, seu trabalho é resgatá-los e fazer com que sejam respeitados.
Assim somos Advogados e Advogadas, fortalecemos o estado democrático de Direito e a Justiça no nosso querido Brasil.

 

 

 

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